terça-feira, 11 de outubro de 2011

REPORTAGEM: O SEGREDO PARA COMER MENOS

O SEGREDO PARA COMER MENOS

Mesmo com novos medicamentos e recursos, os médicos insistem: a maneira mais segura e garantida para quem quer perder peso é aprender a reprogramar o organismoJornal de Santa Catarina, 27-09-2011

Mais da metade da população adulta brasileira está acima do peso. Uma rechonchuda parcela dela sonha em ingerir uma substância que lhe ajude a se sentir saciada por mais tempo, mandando os quilos a mais embora sem muito sofrimento. Para essa legião de pessoas, há duas notícias: uma boa e uma má.

A má é que indústria farmacêutica ainda não lançou uma opção eficiente e segura para ajudar a emagrecer quem tem sobrepeso e obesidade sem co-morbidades - condição que se instala em decorrência de outra ou outras doenças - crônicas associadas. A notícia boa é que esse dia pode estar mais próximo do que nunca, o que pode significar um divisor de águas para quem sofre com excesso de peso e, por inúmeros motivos, tem fracassado com os métodos naturais. E é justamente em meio à polêmica da proibição dos anorexígenos (remédios que inibem a fome) e da sibutramina pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que surgiu o Victosa, do laboratório Novo Nordisk, cujo princípio ativo é a liraglutida.

Há apenas três meses no país, a liraglutida é indicada para quem sofre de diabetes tipo 2. Seu funcionamento no organismo foi comparado na imprensa brasileira como um milagre, pois a substância contribui para aumentar a sensação de saciedade e reduzir a fome. Além disto, ela atua no trato digestivo, reduzindo o esvaziamento gástrico e a mobilidade intestinal - o que também aumenta a saciedade. Desta forma, quem usa o medicamento perde peso porque come menos. E perde bastante: cerca de sete quilos, em média, em apenas cinco meses.

Todo medicamento requer cautela

Antes de correr para a farmácia, porém, muita calma: tanto a Anvisa quanto a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) alertam que o uso para pacientes que não têm diabetes, o chamado uso off label (quando um medicamento é aprovado para uma determinada indicação, mas tem outras possíveis), pode acarretar em sintomas como hipoglicemia, dores de cabeça, náusea e diarreia, além de outros riscos, como pancreatite, desidratação e alteração da função renal e da tireoide.

A professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a endocrinologista Helena Schmid, ressalta que pacientes diabéticos serão muito beneficiados: gente que precisa emagrecer tão ou mais do que qualquer outro paciente.

- Para pessoas com doenças crônicas ou idosos que precisam realizar alguma atividade física que suas articulações suportem, o Victosa pode ser muito útil - pondera Helena.

Portanto, se você não é diabético, e precisa emagrecer - e não quer esperar de três a quatro anos pela aprovação off label do Victosa -, o jeito é investir em dois métodos: reeducação alimentar e exercícios físicos.

- A reeducação alimentar funciona porque não é milagre, e, sim, matemática: para nosso corpo funcionar e perdermos peso, precisamos ingerir uma alimentação balanceada, que contenha em média 55% de carboidratos, 15% de proteínas, 30% de lipídios, além de 45 outros micronutrientes. É a sinergia dos alimentos que vai possibilitar a absorção correta dos nutrientes - revela a nutricionista Sirlete Abreu.

De acordo com a especialista, é importante que as pessoas saibam que há maneiras naturais para ajudar na tão sonhada saciedade, utilizando fibras, por exemplo.

- Também podemos acelerar o metabolismo recorrendo aos alimentos termogênicos, como pimenta vermelha, canela, chá verde, gengibre e vinagre de maçã, que aceleraram a queima calórica.

Mudar hábitos não é fácil, mas é o que vai garantir que a pessoa se mantenha magra para o resto da vida, independente de tomar ou não remédio - alerta a nutricionista.

Reeducação alimentar: a mais eficaz
(Por Lívia Meimes)

Comer de maneira balanceada é a forma mais segura e duradoura de emagrecer. Mesmo que o processo seja mais demorado do que dietas, as mudanças de hábito que o indivíduo adquire costumam se perpetuar.

Exercícios físicos: coadjuvante- Promove emagrecimento por meio de queima calórica, além de aliviar a ansiedade. Porém, só funciona para emagrecer quando aliado à reeducação alimentar. Também há restrições, como pessoas muito obesas, que devem, antes, perder peso corporal para diminuir um círculo vicioso de vida sedentária e ganho de peso com outras doenças associadas.

As dietas da moda: efeito sanfona- Prometem emagrecimento fácil, baseado em princípios científicos questionáveis e não conclusivos. Podem gerar carências nutricionais e alterações metabólicas graves. Ao perder peso rapidamente, a pessoa corre o risco de queimar também massa magra e após recuperar toda a gordura perdida (efeito ioiô).

Medicamentos: só com indicação- Seu uso deve ter indicação médica. Quem consome e não muda os hábitos alimentares corre o risco de ganhar peso quando para de tomar.

Cirurgias: quando nada mais adianta- As cirurgias para o tratamento da obesidade são indicadas apenas para quem tem obesidade mórbida e exigem uma mudança radical de estilo de vida. 

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