domingo, 18 de setembro de 2011

NOTÍCIA: ANTIAIDS EM UMA SÓ CÁPSULA

Uma só dose contra a Aids
Pesquisador encontra solução para reduzir quantidade de comprimidos ingeridos por portdores de HIV/Aids
Diário de Pernambuco, 14-09-2011

O tratamento antiaids pode ficar mais simples para o paciente e mais barato para o Ministério da Saúde (MS). Pesquisadores do Laboratório de Tecnologia dos Medicamentos (LTM) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) conseguiram reunir num único medicamento três fármacos que são administrados no coquetel antirretroviral distribuído, gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Trata-se da junção, num só comprimido, dos componentes zidovudina, lamivudina e efavirenz. Com isso, o paciente passaria a tomar remédios apenas duas vezes por dia e não três vezes, como o tratamento exige atualmente. Com a redução da quantidade de cápsulas e da frequência da administração de remédios por dia, as chances de o paciente conseguir cumprir o tratamento e não desistir dele são maiores.

A indústria farmacêutica também sai ganhando. Reunindo três produtos em um, caem os custos com produção e o remédio pode ficar mais barato para quem compra, no caso, o governo federal.

A expectativa é que a nova medicação chegue ao mercado em até dois anos. O novo medicamento é fruto da dissertação de mestrado intitulada Desenvolvimento farmacotécnico industrial da forma farmacêutica comprimido: associação em dose fixa para tratamento da Aids, do farmacêutico e pesquisador Danilo Fontes. Durante dois anos, ele estudou uma forma de melhorar o tratamento antiaids que é oferecido aos soropositivos.

Quem se submete ao coquetel antirretroviral tem que tomar remédios três vezes por dia, o que dificulta o que os médicos chamam de adesão ao tratamento. Essa má adesão pode acelerar o processo de resistência do vírus HIV aos medicamentos, segundo alerta o próprio Ministério da Saúde.

Percebendo essa dificuldade, o pesquisador propôs reunir num único comprimido três substâncias e, assim, reduzir a frequência com a qual o paciente toma os remédios. “Com a eliminação de um comprimido, o paciente tomaria remédios duas vezes por dia. Isso confere a ele mais qualidade de vida”, avaliou Fontes.

Os fármacos efavirenz, zidovudina e lamivudina são administrados no início do tratamento antiaids por impedirem que o material genético do vírus se espalhe no organismo.

Nos experimentos feitos em laboratório, o pesquisador observou que as propriedades físico-químicas dessas substâncias não se alteraram quando unidas numa só cápsula. O medicamento está na última fase dos testes farmacêuticos, que é a definição do seu prazo de validade. Depois disso, ele será encaminhado para uma indústria estatal que fará a produção de um lote piloto. Essa produção será destinada para testes clínicos com animais e humanos. Somente depois disso é que seguirá para aprovação da Anvisa.

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