segunda-feira, 8 de outubro de 2012

ENTREVISTA: SOBRE SÍNDROME DO OVÁRIO POLICÍSTICO


Entrevista - estudo busca desvendar síndrome do ovário policístico
Por Dr. Antônio  Sproesser.com

Pesquisa realizada pelo ginecologista Dr. Fábio Lopes Teixeira Filho, professor do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e pesquisador do Departamento de Medicina Reprodutiva da Universidade da Califórnia, San Diego, pode ajudar a explicar a origem da síndrome dos ovários policísticos ( SOP) e indicar possíveis caminhos para seu tratamento e cura. Segundo dados internacionais, cerca de 10% das mulheres em todo o mundo apresentam a síndrome dos ovário policísticos, doença pouco conhecida e que tem como principal conseqüência a infertilidade. 


* Em que consiste a síndrome?

Dr.Fábio Lopes: A SOP caracteriza-se pela ausência de ovulação, em função do aumento do nível de hormônios masculinos.O fato provoca alterações na estrutura dos ovários,com formação de microcistos. Estas modificações ocorrem devido a expressão anormal do gene relacionado ao fator de crescimento e diferenciação 9 (GDF-9). Este impede a  formação do óvulo e favorece o acúmulo de pequenos cistos nos ovários, gerando aumento de volume dos mesmos.

* Quais os sintomas apresentados por mulheres com SOP?

FL: Classicamente, elas apresentam atraso menstrual,  aumento de peso, pele oleosa e acne,  presença de pêlos no queixo, buço, tórax, abdômen, braços, face interna das coxas e região dorsal.

* Além da infertilidade, a SOP traz outras consequências?

FL: A síndrome também pode ampliar as chances de desenvolver diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares (hipertensão arterial, infarto do miocárdio),câncer do endométrio e abortos, além de aumento do tamanho do clitóris. Observa-se ainda tendência a sobrepeso, quase 60% das mulheres com SOP são obesas.

* Desde quando desenvolve estudos nesse campo? 

FL:  Interessei-me por este tema durante meu mestrado, em 1997. Meu ponto de partida foram estudos realizados por pequisadores da Universidade da Califórnia Stanford. Estes conseguiram bloquear em modelo animal (ratos), através de técnicas de biologia molecular, o gene responsável pela produção do fator de crescimento e diferenciação 9 ( GDF-9). Nessa pesquisa notou-se que as alterações causadas pela ausência do gene nos animais foram muito semelhantes àquelas observadas nos ovários das pacientes com a SOP. Nos roedores, aqueles que tiveram o gene bloqueado não apresentaram desenvolvimento do óvulo, tornando-se inférteis. Tal descoberta, motivou-me a estudar a expressão do GDF-9 em humanos,comparando o padrão de expressão do GDF-9 no processo da foliculogênese (desenvolvimento dos folículos dentro do ovário) em mulheres normais, naquelas com ovários policísticos (OP) e nas que apresentavam a Síndrome do Ovário Policístico (SOP). Foram analisados cerca de 4 mil folículos ovarianos, de 24 mulheres com idades de 18 a 40 anos.

* De que forma o resultado do estudo pode ajudar a desvendar o distúrbio e contribuir para seu tratamento?

FL: A partir destes resultados é possível partir para um estudo um pouco mais detalhado, em busca da cura para a síndrome. Ainda é preciso identificar os mecanismos que controlam a expressão do GDF-9. Quando tivermos esta informação, poderemos controlar a SPO por meio de medicamentos.  Além disso, a partir de estudos adicionais da expressão do GDF-9 em ovários de mulheres normais, poderemos avaliar a interferência do GDF-9 na qualidade do óvulo, e assim melhorar os resultados da técnica de fertilização in vitro, criar novos recursos anticoncepcionais ou ainda métodos para retardar a menopausa.

* Quais são os tratamentos para SOP disponíveis hoje?

FL: O tratamento é individualizado e multidisciplinar conforme as manifestções clínicas de cada paciente.  Inicialmente,recomenda-se perda de peso por meio de dieta adequada aliada a exercício físico. O tratamento medicamentoso, baseia-se na prescrição da pílula anticoncepcional para as pacientes que não desejam engravidar, ou medicamentos para induzir a ovulação no caso das pacientes que queiram ser mães.  Além disso, pode-se utilizar medicamentos para inibir o aumento de pelos e acne, assim como drogas para reduzir a resistência periférica à insulina,diminuindo desta forma o risco de se desenvolver diabete Tipo 2.

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