quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

NOTÍCIA: POLÍTICA DE ATENÇÃO À SAÚDE DA POPULAÇÃO CARCERÁRIA


Ministérios lançam política de atenção à saúde da população carcerária
(Redação RBA publicado 28/11/2013)

Compromisso engloba pastas da Saúde e da Justiça, além de envolver diretamente secretarias estaduais e municipais de Saúde, de Administração Penitenciária e de Segurança Pública. Para membro do CNJ, questão mais grave no sistema prisional diz respeito aos doentes mentais.

 

São Paulo – Para combater a precariedade das condições sanitárias do sistema prisional do país – que abriga 550 mil detentos – será lançada hoje (28/12/13) a Política Nacional de Atenção Integral a Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional. Superlotação, má alimentação e insalubridade, principais temas a serem tratados pela política pública, contribuem para que prisões sejam ambientes propícios para a proliferação de doenças como tuberculose, pneumonia, doenças de pele, hepatite, HIV e outras.

Douglas de Melo Martins, coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Conselho Nacional de Justiça, órgão que participou das discussões sobre as medidas a serem anunciadas, afirma que a política traz esperanças na implantação de um padrão nacional que modifique as precariedades no sistema prisional. “O fato da importância que o Ministério da Saúde está dando ao lançamento, o trabalho realizado anteriormente, a mobilização e envolvimento das instituições, tudo isso nos dá esperança, a expectativa é que algo melhore pela forma como o projeto foi construído, coletivamente. Acho que isso pode fazer que daqui para frente se dê um pouco mais de atenção a este assunto”, disse à Rádio Brasil Atual.

Para Martins, a questão mais grave no sistema prisional diz respeito aos doentes mentais. “É grande a dificuldade de diálogo de todas as instituições quanto ao cumprimento das medidas de segurança no caso das pessoas que cometeram algum tipo de crime, mas no decorrer do processo foi constatado que essas pessoas não sabiam exatamente o que faziam, não eram capazes de se autodeterminar, e precisam ser tratadas. No sistema, hoje, não temos isso. Algumas vezes as pessoas são mantidas presas porque a rede de saúde não tem capacidade para recebê-las, especialmente quando se trata de tratamento de saúde mental”, comenta.

Segundo ele, em mutirões carcerários realizados pelo Conselho Nacional de Justiça foram constatadas situações indignas. “Conhecemos um cidadão com aproximadamente 80 anos, que já tinha alvará de soltura havia décadas e não saía porque não havia residência terapêutica ou serviço de saúde que promovesse encontro com sua família. Ele permaneceu preso por falha da rede de saúde.”

O lançamento da Política de Atenção à Saúde a População Carcerária será em Brasília, durante o Encontro Nacional de gestores de Saúde no Sistema Prisional, realizado pelos Ministérios da Saúde e da Justiça.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

REFLEXÃO: MOINHO DE SONHOS



REFLEXÃO: Moinho de Sonhos
(Revista Nova Escola/ Abril – Por João Anzanello Carrascoza)

 

A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as oliveiras vicejavam.

Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia. A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino que, no meio do caminho, achou um velho cabo de vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de Rocinante.  

Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de outra colhedeira - um garoto que se exibia com um escudo e uma espada de pau.  

Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela. Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.  

De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a conversar, embora um e outro continuassem na sua. Logo esse já sabia o nome daquele: o menino recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.  

Começaram a se misturar:  

- Deixa eu brincar com seu cavalo?, pediu Sancho.  

- Só se você me emprestar sua espada, respondeu Alonso.  

Iam se entendendo, apesar de assustados com a felicidade da nova companhia.  

Avançaram na entrega:  

- Tá vendo aquele moinho gigante?, apontou Alonso. Meu pai sozinho é que faz ele girar. 

- Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.  

- Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move o moinho com um sopro. 

Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a contar:  

- Tá vendo o castelo ali?, apontou. Meu pai disse que o dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela toda.  

- E se a gente esticasse o céu como uma lona e cobrisse o que está faltando?, propôs Alonso. 

- Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.  

- Temos de crescer primeiro.  

- Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num jeito de subir até o céu! - disse Alonso. 

- Vamos!, concordou Sancho.  

Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo entre os dois. 

Um sopro de vento passou por eles.  

Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.


ARTIGO: 14 DICAS PARA EQUILIBRAR TRABALHO E VIDA PESSOAL



Quatorze dicas para equilibrar melhor o trabalho e a vida pessoal em 2014
Dizer não, exercitar-se, adotar um hobby e conversar sobre possibilidade de horário flexível são algumas das sugestões de especialistas.
(O Globo, 03/01/14)

 

RIO - Em dezembro de 2013, a redatora Mita Diran, da Y&R da Indonésia, morreu após cumprir uma jornada de três dias seguidos de trabalho. A morte teria sido causada por uma combinação de excesso de trabalho e abuso no consumo de uma bebida energética. Em maio de 2013, um outro caso de morte associada ao abuso no trabalho chamara atenção: o publicitário chinês Li Yuan, de 24 anos, morreu depois de ter trabalhado todos os dias até 23h por um mês — ele teve um ataque cardíaco fulminante. 

Com as tecnologias fazendo com que o limite entre a vida pessoal e profissional fique cada vez mais confuso, é hora de profissionais reavaliarem se não estão passando dos limites quando o assunto é trabalho. O tema está ganhando tanta importância que, inclusive, a Coface (Confederação das Organizações das Famílias da União Europeia) quer instituir o ano de 2014 como o “Ano Europeu para a Reconciliação entre o Trabalho e a Família”. Isso porque uma pesquisa de 2011 apontou que 22% dos profissionais estavam insatisfeitos com o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, 53% chegavam em casa cansados demais para as tarefas domésticas várias vezes por mês e 30% tinham dificuldades para dar conta das atividades familiares por causa de trabalho em excesso.

*** Veja abaixo 14 dicas para equilibrar melhor trabalho e vida pessoal neste ano que está começando.

1) Diga não.

Pratique a arte de dizer não. Isso vale para o trabalho e para a vida pessoal. Você não é obrigado a aceitar todos os convites que recebe e também pode dizer que está sobrecarregado quando o chefe lhe passa mais uma tarefa. “O mundo se abre quando você aprende a dizer sim para as oportunidades certas e não para as erradas”, diz a escritora americana Marley Majcher.

2) Aproveite o trânsito.

Se o trânsito estiver ruim no caminho para o trabalho, ligue o rádio ou ponha para tocar suas músicas prediletas, sugere a psicóloga Márcia Merquior, do Vita Check-Up Center. Se dirigir o deixa muito estressado, pense em ir até o trabalho de ônibus ou de metrô, já que o transporte público permite que você leia ou até mesmo cochile.

3) Exercite-se.

Márcia Merquior ressalta também a importância da atividade física: tente fazer com que essa meta seja realmente cumprida em 2014. “Invista em alguma atividade física aeróbica, pelo menos três vezes por semana, por no mínimo meia hora. Além de melhorar a autoestima, relaxa e alivia as tensões. E caminhe, sempre que for possível”.

4) Peça ajuda.

Não pense que precisa ser o super-homem ou a mulher-maravilha para ter respeito no trabalho ou para ter a família perfeita. Admitir que precisa de ajuda é um passo importante para ter mais equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Não se deixe sobrecarregar: saiba quando é o momento de delegar, de montar uma equipe ou de contratar um assistente, afirma Willo O'Brien ao Huffington Post. E não hesite em pedir auxílio a alguém da família para tomar conta dos filhos, por exemplo.

5) Adote um hobby.

Vale fazer aula de canto, de patins ou de costura — uma coisa nova que você queira aprender ou algo que gostaria de aprimorar. “Fazer pequenas coisas prazerosas fortalece a autoestima e traz a sensação de que também temos direitos e não apenas deveres”, destaca Márcia Merquior.

6) Desconecte-se.

É verdade que, cada vez mais, a linha ente vida profissional e pessoal se confunde. E a tendência é que isso ocorra ainda mais, com o desenvolvimento das tecnologias. Por isso é importante que cada um saiba desenvolver uma estratégia própria para lidar com a tecnologia, afirma Ryan M. Johnson, da WorldatWork. Para um profissional, pode funcionar desligar o celular corporativo no fim de semana. Para outros, pode ser que dê certo reservar uma hora por dia para checar e responder e-mails. “Nós, como funcionários e empregadores, precisamos encontrar maneiras para que esses dois mundos coexistam de uma forma que não comprometa a produtividade e nem aumente o estresse”, diz Johnson.

7) Almoce com calma.

Evite comer sanduíches em frente ao computador e os pratos congelados em excesso. “Coma bem e não engula a comida. Mastigue o mais devagar que puder, procurando saborear os alimentos. Depois, tente caminhar um pouquinho, dez minutos que seja, pois isso já ajuda na digestão e no relaxamento”, diz a psicóloga do Vita Check-Up Center.

8) Adote um horário flexível. 

Converse sobre a possibilidade de um horário flexível no trabalho. No Brasil, mais empresas estão aderindo a jornadas de trabalho flexíveis: vale negociar para chegar mais cedo por conta do trânsito ou para trabalhar em home office em alguns dias da semana. Não tenha medo de discutir com o RH sobre essa possibilidade — a empresa pode te surpreender com uma resposta positiva. Além disso, lembre-se que não há motivos para se sentir mal em relação aos colegas se optar pelo horário flexível e eles não. Cada um sabe como se organizar melhor.

9) Vá ao médico.

Não deixe para depois suas consultas, seja com o dentista ou com o médico para fazer um check-up. “Cuidar de você é um passo importante para obter um melhor equilíbrio”, afirma a especialista em carreiras americana Cindy Goodman. 

10) Tire as suas folgas.

Uma pesquisa feita pela Society for Human Resource Management (Sociedade para a Gestão de Recursos Humanos) descobriu que 61% dos funcionários nos Estados Unidos tinha uma média de três dias de folga vencidos. “Não negligencie seu tempo de descanso. Além disso, os chefes deveriam encorajar seus funcionários a tirar a suas folgas, mesmo que sejam de apenas um ou dois dias de cada vez”, acredita Cindy Goodman.

11) Avalie se o emprego compensa.

Você trabalha 14 horas por dia, não tem tempo para ver a família ou para fazer um curso? Será que realmente vale a pena continuar nesta empresa? Embora a maioria das companhias ainda seja resistente aos horários flexíveis, é possível encontrar aquelas que têm opções que podem se encaixar melhor no seu estilo de vida. “Muitos projetos já provaram que quando um time de profissionais independentes é encorajado a ter seus próprios planos sobre quando e como querem trabalhar, a produtividade aumenta consideravelmente”, pondera Ron Ashkenas em artigo na Forbes.

12) Agrade a você.

“Muitos de nós vivemos para agradar aos pais, aos cônjuges, aos colegas ou aos chefes. Não faça isso. Foque em conquistar o que você quer”, sugere o autor britânico Stephen Bruyant-Langer.

13) Gerencie o seu tempo.

Pesquisadores britânicos do Direct Line descobriram o quanto uma pessoa gasta em média para realizar as principais atividades do dia a dia. Use a pesquisa como base para se organizar melhor e gerenciar melhor o seu tempo. Café da manhã: 22 minutos. Banho: 21 minutos. Transporte: 1 hora e 26 minutos. Checar as redes sociais: 18 minutos. Trabalho: 8 horas e 9 minutos. Ler jornais e sites: 18 minutos. Almoço: 53 minutos. Tempo com família e amigos: 49 minutos. Tempo pessoal: 1 hora e 6 minutos. Jantar: 1 hora e 4 minutos. Resolver burocracias: 45 minutos. Ver televisão: 1 hora e 3 minutos. Dormir: 7 horas e 26 minutos.

14) Faça um curso.

Aprenda algo novo em 2014: seja um curso voltado para a sua carreira ou um que contemple os seus interesses pessoais. Não use a falta de tempo como desculpa para não estudar. “Sempre quis aprender espanhol ou a andar a cavalo? Pesquise as opções no início do ano e se matricule. Assim, também terá uma perspectiva boa para lidar melhor com o estresse do trabalho”, sugere a coach inglesa Amana Walker.

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