sábado, 31 de agosto de 2013

NOTÍCIA: BRASIL E O LIXO ELETRÔNICO

Brasil 'lidera' lista de emergentes que mais produzem lixo eletrônico
A coleta seletiva de resíduos eletrônicos pode gerar mais renda no reaproveitamento dos materiais
(Por Redação RBA, publicado em 18/07/2013)
 
 
Sucata eletrônica acumulada, subproduto do consumo descartável que pode gerar renda e emprego.
São Paulo – O Brasil é o país emergente que mais gera lixo eletrônico por pessoa, segundo dados da ONU. Por ano, cada brasileiro produz meio quilo de resíduos desse tipo. O principal desafio é a coleta seletiva. A TVT visitou uma cooperativa em SP que sempre fez coleta de lixo eletrônico e capacita profissionais para lidar adequadamente com o material descartado.
Segundo estimativa da ONU são cerca de 360 mil toneladas de lixo eletrônico, como celulares, televisores e computadores. Desde 1990, a Coopamari, cooperativa que funciona embaixo do Viaduto Paulo VI, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista, faz coleta destes resíduos. Mas apenas há dois anos a separação de componentes é feita de maneira segura e adequada.
A presidente da Coopamari, Maria Santos, afirma que a mudança trouxe benefícios para cooperados. “Aumentou a entrada de material eletrônico, eu não tinha noção do valor das peças que tem dentro dos materiais, então a renda melhorou muito depois que começamos a fazer essa separação certa.”
O país perde uma receita de cerca de R$ 8 bilhões por ano por não reaproveitar os resíduos descartados nos lixões ou aterros sanitários. Para mudar essa realidade, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, lançada em agosto de 2010 durante o governo Lula, estabelece responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.
 
O poder público é responsável pela elaboração de planos para o gerenciamento adequado dos recursos, as empresas são responsáveis pelo recolhimento após a utilização por meio de pontos de entrega, e a sociedade deve se informar sobre os pontos de coleta seletiva.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

REFLEXÃO: SALMO 139:1-18, 23 E 24

Salmo 139:1-18, 23 e 24
(Bíblia Online)



SENHOR, tu me sondaste, e me conheces.
Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.

Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.

Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó Senhor, tudo conheces. 
Tu me cercaste por detrás e por diante, e puseste sobre mim a tua mão.

Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir.
Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?

Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. 
Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,
Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.


Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim.
Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa;

Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe.
Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.

Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia.

E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as somas deles!

Se as contasse, seriam em maior número do que a areia; quando acordo ainda estou contigo.

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos.
E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.

TENHA UMA SEMANA ABENÇOADA!!!

ARTIGO: SAIBA LER RÓTULOS DE ALIMENTOS

Pesquisa diz que 40% dos consumidores não entende rótulo dos alimentos: Participantes afirmam que outras formas de impressão facilitariam leitura
(Por Minha Vida - publicado em 05/08/2013)

 
Uma porção de três biscoitos recheados de uma marca tradicional contém 7%, 11% e 3% das necessidades diárias de calorias (141), gorduras totais (6 g) e sódio (78 mg). Isso é o que consta no rótulo - no entanto, o que fazer com essa informação? Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Indec) afirma que boa parte da população não entende plenamente o que isso quer dizer.

Foram ouvidas 807 mulheres, que são as principais responsáveis pelas compras em supermercados, com idades entre 20 e 65 anos, de todas as faixas de renda, nas cidades de Porto Alegre, São Paulo, Goiânia e Salvador. Segundo a pesquisa, aproximadamente seis em cada dez mulheres lê as informações nutricionais dos alimentos sempre ou às vezes. Desse grupo, 40% afirma entender os dados só parcialmente ou não entender o que está lá descrito.

Os indicadores mais procurados pelas consumidoras no rótulo são calorias, proteínas, sódio e carboidratos, aponta o trabalho. Para 78% das entrevistadas, as informações nutricionais ficariam mais compreensíveis se fossem exibidas em um modelo de gradação de cores, a depender do percentual de substâncias como sódio e gordura. Além disso, frases de alerta nos rótulos foram apontados por 96% das entrevistadas como uma forma de ajudar na escolha dos alimentos mais saudáveis.  
Traduza os rótulos e escolha bem os alimentos
Colesterol, gordura trans, carboidratos, proteínas... já foi o tempo em que ir ao supermecado era uma coisinha simples, acomodada entre uma atividade e outra. Escolher bem os alimentos que bom! é uma preocupação cada vez mais comum. Mas a tarefa leva tempo e requer preparo. Ei, mas nada de torcer o nariz. A nutricionista do Minha Vida, Roberta Stella, encarou a missão de traduzir o que está por trás da maioria dos rótulos existentes por aí, incluindo aqueles mais compliados e cheios de palavras difíceis. A seguir, ela destrinça tudo (tu-di-nho mesmo) sobre os principais conceitos que precisam estar na ponta da língua de qualquer pessoa interessada em manter a alimentação saudável e o peso em dia.

Calorias
Nos alimentos, a unidade correta a ser usada é quilocalorias (kcal. No dia a dia, o nome foi substituído simplesmente por calorias. Os nutrientes que fornecem energia para o corpo são três, denominados macronutrientes: carboidratos (4 kcal/g), proteínas (4 kcal/g) e as gorduras (9 kcal/g). 

Carboidratos
Eles são a primeira fonte de energia para o organismo e não devem jamais ser cortados da alimentação. São de três tipos: monossacarídeos (frutose, glicose e galactose), dissacarídeos (sacarose, maltose e lactose) e polissacarídeos (amido, dextrina, celulose e glicogênio). 
Não existe alimentação saudável sem frutas, legumes, verduras e grãos integrais, todos exemplos de carboidratos. Mas, cuidado: evite os açúcares simples ou refinados, porque eles fornecem muita energia sem uma variedade de nutrientes importante para o bom funcionamento do organismo. De toda a quantidade de calorias ingeridas no dia, de 50 a 60% devem vir dos carboidratos. 

Proteínas
São os nutrientes envolvidos com a formação de células, enzimas e hormônios, daí sua denominação de construtores. São fontes de substâncias que nosso organismo não produz, conhecidas por aminoácidos essenciais. Por isso, alimentos ricos em proteínas devem fazer parte do cardápio diário , explica a especialista do Dieta e Saúde. Os alimentos fontes de proteínas são os de origem animal (carnes, leites) e alguns de origem vegetal (leguminosas, como soja e feijão). De toda a quantidade de calorias ingeridas no dia, de 15 a 20% devem vir das proteínas. 

Gordura Trans  
Desde 31 de julho de 2006, as empresas são obrigadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) a indicar, no rótulo dos alimentos, a quantidade de gordura trans. Trata-se de um tipo de nutriente originado na gordura vegetal (que, naturalmente, é insaturada e não prejudica a saúde). Para a gordura vegetal dar sabor, forma e textura aos alimentos industrializados, ela passa por um processo denominado hidrogenação (daí o termo gordura hidrogenada). Nesse momento, a gordura que era líquida e insaturada passa a ser sólida e saturada, trazendo riscos quando consumida em grandes quantidades. Bolos e tortas industrializadas, biscoitos salgados, biscoitos recheados, pratos congelados, sorvetes cremosos e margarinas incluem essa gordura em suas receitas. Ainda não existe uma recomendação de quantidade de gordura trans para a dieta, mas sugerimos o consumo de, no máximo, 2 gramas por dia , afirma Roberta. 

Gordura saturada
Sólida em temperatura ambiente e, assim como a gordura trans, está relacionada com o aumento do colesterol ruim. Consequentemente, o excesso dela é fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Os alimentos de origem animal são a principal fonte de gorduras saturadas. Mas os óleos de coco e de dendê (origem vegetal) também fornecem esse tipo de gordura. 

Colesterol
O colesterol é um tipo de gordura, importante para o organismo, pois está envolvido na produção de hormônios sexuais e das glândulas suprarrenais, na formação da membrana celular e da bile, usada na digestão das gorduras. O corpo obtém o colesterol de duas maneiras: o próprio organismo produz, no fígado, e a partir das refeições. Mas somente os alimentos de origem animal contêm colesterol, explica Roberta Stella. Todos os tipos de carnes, leite e derivados, por exemplo. Bacon, vísceras, embutidos e gema de ovo são campeões em quantidade de mau colesterol, cuja ingestão diária não deve ultrapassar 300mg. 

Fibras
É um termo genérico para várias substâncias que não são absorvidas pelo organismo durante a digestão dos alimentos. Há dois tipos de fibras: as solúveis e as insolúveis. As fibras solúveis, durante o processo de digestão, absorvem água e formam um gel, ajudando na redução dos níveis de colesterol ruim no sangue. Já as fibras insolúveis estão relacionadas com a melhora do funcionamento intestinal e com a prevenção de câncer do cólon e reto.
Os alimentos ricos em fibras são as frutas, os grãos integrais, as leguminosas, os legumes e verduras. A quantidade de fibra recomendada por dia é de 30 gramas.  

Anote as dicas

O ganho de peso acontece devido ao consumo excessivo de calorias não gastas durante o dia. Assim, as calorias excedentes serão depositadas no corpo na forma de gordura.  Entretanto, a recomendação é que todos os nutrientes sejam distribuídos entre todas as refeições do dia. Se você não conhece a composição dos alimentos, é fácil: varie.

Inclua no seu cardápio alimentos de origem animal (carnes e leites), vegetais (cereais, frutas, legumes e verduras) e faça pequenos lanches entre essas refeições.

Assim, você terá uma variedade de alimentos e evitará o acúmulo de um determinado nutriente. 

 

ARTIGO: MAIS ENFERMEIROS, DENTISTAS E NUTRICIONISTAS NA SAÚDE PÚBLICA BRASILEIRA

Saúde pública sofre também com a falta de profissionais de enfermagem
Brasil tem 0,99 enfermeiro para cada mil habitantes, um quarto do preconizado pela Organização Mundial da Saúde. Dentistas mandam ofício a Padilha pedindo ampliação do serviço no SUS
(Por Cida de Oliveira, da Rede Brasil Atual, publicado 01/08/2013)


Hospital público de Natal (RN): Além de médicos e equipamentos, défict de profissionais de enfermagem impõe sacrifício à população.

São Paulo – Embora o déficit de médicos nas regiões mais pobres seja um dos maiores problemas enfrentados pela população, o país também enfrenta a falta de profissionais da enfermagem. De acordo com a Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE), existe atualmente cerca de 450 mil pessoas nesta área, o que corresponde a 60% dos trabalhadores da saúde. Mesmo assim, o número é inferior ao que preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Hoje somos 0,99 enfermeiros para cada mil habitantes, quando deveríamos ser pelo menos 4 por mil, como é nos países mais desenvolvidos”, diz a presidenta da federação, Solange Caetano. De acordo com ela, há uma resolução do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) sobre o dimensionamento de pessoal que não é seguida pelos empregadores e nem pelos gestores de saúde. “Caso cumprissem, o numero de profissionais existentes no mercado de trabalho seria insuficiente.”

Favorável ao Programa Mais Médicos, a categoria sofre na pele a ausência desses profissionais nos locais de trabalho, seja pelas agressões físicas por parte dos usuários, seja pela sobrecarga de trabalho. Conforme a entidade, em todo o país, tanto no setor público como privado, os enfermeiros estão sobrecarregados, trabalham em condições precárias, em jornadas exaustivas e recebem baixos salários. “Quando se fala em condições salariais, a situação é pior no setor publico, com salários menores do que a media do mercado de trabalho. E em alguns estados até menos que o piso salarial instituído em convenção coletiva de trabalho para o setor privado”, disse.

No setor filantrópico e privado os salários são um pouco maiores porque os sindicatos negociam nos estados e podem instituir pisos em convenções. Já nos municípios, os salários são muito baixos e há problemas na contratação, que muitas vezes é irregular, através de cooperativas, prestação de serviços autônomos e contrato de emergência.

A média salarial dos enfermeiros é de R$ 2.800, bem menor do que será pago aos bolsistas do Mais Médicos (R$ 10.000 mil). “Há disparidade salarial entre os médicos e as demais categorias da saúde. É obvio que queremos ter benéficos e salários decentes, principalmente porque somos a base de sustentação da saúde no Brasil e não temos nenhum reconhecimento e muito menos valorização salarial”, disse Solange.

Para ela, o governo valoriza os bolsistas e não olha para aqueles trabalhadores que "têm carregado o SUS nas costas, que adoecem pela sobrecarga de trabalho, assédio moral e desvalorização que tem levado inclusive a suicídios".

Dentistas

A Federação Interestadual dos Odontologistas (FIO) e o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) defendem a inclusão das categorias em políticas para melhorar o atendimento à saúde de populações desassistidas no interior do país e nas periferias das grandes cidades. De acordo com o diretor da FIO, José Carrijo Brom, já foi encaminhado ofício ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, solicitando a discussão da ampliação da participação dos dentistas em programas federais.

Segundo ele, apenas um terço da categoria está inserida no sistema público de saúde. "Os serviços de saúde bucal públicos sofrem com os mesmos problemas das demais áreas. Faltam perspectivas de carreira de estado e incentivo para a interiorização, financiamento; os salários são baixos; não há ampliação de postos de trabalho e as condições deixam muito a desejar. Fora as dificuldades com o perfil do profissional formado e outras questões estruturantes."

“Apesar de criticarmos o caráter conjuntural, pontual e transitório do Mais Médicos, entendemos como positiva a iniciativa de tentar levar profissionais para atender populações desassistidas”, disse Carrijo.

Conforme o dirigente, a má qualidade da saúde não se resume à falta de médicos e poderia ser melhorada com a construção de um sistema universal e integral, que atenda às necessidades da população, e com mais recursos para a atenção básica. "Enquanto essa etapa do atendimento seja capaz de prevenir e resolver mais de 80% dos problemas de saúde da população, 85% dos investimentos vão para o custeio do atendimento de média a alta complexidade, como exames, procedimentos, cirurgias, transplantes."

Ele critica ainda o modelo de gestão da saúde, que, segundo ele, é agravado principalmente pela terceirização por meio das organizações sociais.

Nutricionistas

Os profissionais da Nutrição também defendem maior participação no atendimento à saúde da população. De acordo com a vice-presidenta do Conselho Federal de Nutrição e integrante do Conselho Nacional de Saúde, Nelcy Ferreira da Silva, a entidade defende a atenção multiprofissional à saúde e não acredita que os problemas serão resolvidos com mais médicos.

“No entanto, não resistimos ao programa federal por entender seu caráter emergencial”, disse. Terceira categoria mais contratada pelas prefeituras para os Núcleos de Apoio à Saúde da Família, que dão respaldo técnico às equipes de Saúde da Família, os nutricionistas também estão em falta no Brasil. Pelas contas do CFN, há um déficit de 500 mil profissionais em todo o país, que conta atualmente com 100 mil.

Por isso, há dois anos, a entidade discute com o Ministério da Educação a abertura de novas vagas para atender à demanda na saúde pública, em clínicas e no esporte, entre outros. “Queremos profissionais formados com qualidade, visão holística, humanista e responsabilidade para darmos conta de questões relevantes no país, como a obesidade, a desnutrição e ao assédio da indústria alimentícia, que a cada dia cria novos produtos nada nutritivos e cheios de aditivos.”

Segundo o Ministério da Saúde, enfermeiros e dentistas também serão contemplados com novos incentivos. Até 2015, o ministério vai abrir mil novas vagas de residência multiprofissional direcionada a todas as áreas da saúde além da medicina. O governo deverá ainda lançar edital do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab) voltado para contração de mil enfermeiros e 500 dentistas para atuarem em municípios onde já trabalham médicos do Provab. Além de bolsa, terão acesso a um curso a distância de especialização com foco na Atenção Básica com duração de 12 meses.

 

NOTÍCIA: VACINA CONTRA AIDS - EM TESTE NO BRASIL

Vacina brasileira contra a Aids começa a ser testada
Desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, imunizante será aplicado em macacos anda neste semestre.
(Por Karina Toledo, da Agência Fapesp, publicado em 05/08/2013)



Desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, imunizante será aplicado em macacos anda neste semestre
Imunizante desenvolvido e patenteado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP mostrou alta potência em camundongos (NIH)

São Paulo – Uma vacina brasileira contra o vírus HIV, causador da Aids, começará a ser testada em macacos no segundo semestre deste ano. Com duração prevista de 24 meses, os experimentos têm o objetivo de encontrar o método de imunização mais eficaz para ser usado em humanos. Concluída essa fase, e se houver financiamento suficiente, poderão ter início os primeiros ensaios clínicos.
Denominado HIVBr18, o imunizante foi desenvolvido e patenteado pelos pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Edecio Cunha Neto, Jorge Kalil e Simone Fonseca. Atualmente, o projeto é conduzido no âmbito do Instituto de Investigação em Imunologia, um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apoiado pela FAPESP no Estado de São Paulo.

O trabalho teve início em 2001, sob a coordenação de Cunha Neto. Em parceria com Kalil, o pesquisador analisou o sistema imunológico de um grupo especial de portadores do vírus que mantinham o HIV sob controle por mais tempo e demoravam para adoecer. No sangue dessas pessoas, a quantidade de linfócitos T do tipo CD4 – o principal alvo do HIV – permanecia mais elevada que o normal.
Após testes diversos, o grupo desenvolveu uma nova versão da vacina com elementos conservados de todos os subtipos do HIV do grupo principal, chamado grupo M, que mostrou-se capaz de induzir respostas imunes contra fragmentos de todos os subtipos testados até o momento. “Os resultados sugerem que uma única vacina poderia, em tese, ser usada em diversas regiões do mundo, onde diferentes subtipos do HIV são prevalentes”, afirmou Cunha Neto.

No teste mais recente, feito com camundongos e ainda não publicado, os pesquisadores avaliaram a capacidade dessa nova vacina de reduzir a carga viral no organismo. “O HIV normalmente não infecta camundongos, então nós pegamos um vírus chamado vaccinia – que é aparentado do causador da varíola – e colocamos dentro dele antígenos do HIV”, contou Cunha Neto.
Nos animais imunizados com a vacina, a quantidade do vírus modificado encontrada foi 50 vezes menor que a do grupo controle. Agora estão sendo realizados experimentos para descobrir se, de fato, a destruição viral aconteceu por causa da ativação das células TCD4 citotóxicas.

Macacos Rhesus
A última etapa do teste pré-clínico será realizada na colônia de macacos Rhesus do Instituto Butantan. A vantagem de fazer testes em primatas é a semelhança com o sistema imunológico humano e o fato de eles serem suscetíveis ao SIV, vírus que deu origem ao HIV.

“Nosso objetivo é testar diversos métodos de imunização para selecionar aquele capaz de induzir a resposta imunológica mais forte e então poder testá-lo em humanos. Além da vacina de DNA originalmente criada, vamos colocar os nossos peptídeos dentro de outros vírus vacinais, como o adenovírus de chimpanzé, vacina da febre amarela ou o MVA, e selecionar a melhor combinação de vetores”, afirmou Cunha Neto.
O ensaio clínico de fase 1 deverá abranger uma população saudável e com baixo risco de contrair o HIV, que será acompanhada de perto por vários anos. Nesse primeiro momento, além de avaliar a segurança do imunizante, o objetivo é verificar a magnitude da resposta imune que ele é capaz de desencadear e por quanto tempo os anticorpos permanecem no organismo.

Se a HIVBr18 for bem-sucedida nessa primeira etapa da fase clínica, poderá despertar interesse comercial. A esperança dos cientistas é atrair investidores privados, uma vez que o custo estimado para chegar até terceira fase dos testes clínicos é de R$ 250 milhões. Até o momento, somando o financiamento da FAPESP e do governo federal, foi investido cerca de R$ 1 milhão no projeto.

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