domingo, 23 de outubro de 2011

NOTÍCIA: DETECTOR CADIOLÓGICO VIA TELEFONE CELULAR

Universidade suíça cria detector de problemas cardíacos
Folha Online, 20-10-2011

A universidade tecnológica suíça EPFL anunciou na terça-feira (18) ter criado um sistema eletrônico que detecta problemas cardíacos instantaneamente e repassa as informações para o médico via telefone celular.

O sistema inclui pequenos detectores que são usados pelo paciente, e que acompanham o ritmo cardíaco em tempo real. Em caso de anomalia, "informações diferentes são enviadas para o smartphone do paciente e, em seguida, transmitidas por SMS ou e-mail para a equipe médica, que poderá tomar as providências cabíveis".

"O sistema permite a obtenção de informações precisas e confiáveis. É equipado com uma bateria que pode durar até quatro semanas", informou o professor David Atienza. O sistema também "garante a análise automática das informações" e sua "transmissão em um formato condensado para o médico."

As doenças cardiovasculares são responsáveis por um terço das mortes que ocorrem no mundo.

REPORTAGEM: VACINA CONTRA DENGUE É TESTADA

Vacina contra a dengue é testada em FortalezaVoluntários entre nove e 16 anos, que moram em áreas de risco, receberam o medicamento que é composto por três doses
Diário do Nordeste, 20-10-2011
Luana Lima

Fortaleza. é uma das cinco capitais brasileiras que participa de um teste em seres humanos de uma vacina contra a dengue. A iniciativa é do laboratório Sanofi Pasteur, que selecionou voluntários com idade entre nove e 16 anos, que residem em áreas expostas ao risco de transmissão de dengue. Campo Grande, Goiânia, Natal e Vitória são as outras capitais que participam dos experimentos. Caso seja aprovada, a vacina deverá ser colocada no mercado em 2014.

De acordo com o laboratório, o medicamento é composto por três doses, que devem ser usadas com intervalos de seis meses. Na pesquisa, os cientistas trabalham separadamente com cada um dos quatro tipos de dengue. É como se fossem quatro vacinas diferentes misturadas em uma só.

Manoel Fonseca, coordenador de Promoção e Proteção à Saúde, da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), informa que o estudo não está vinculado ao Ministério da Saúde (MS), pois trata-se de uma iniciativa do próprio laboratório. Posteriormente, caso seja comprovada a sua eficácia, a vacina poderá ser vendida ao MS.

Outros pesquisadores no Brasil realizam estudos para elaborar uma vacina contra a dengue. O Instituto Butantã, vinculado ao Governo de São Paulo, e a Fundação Oswaldo Cruz, do Governo Federal, são exemplos de instituições que possuem projetos neste sentido.

Pioneirismo

No Ceará, uma iniciativa pioneira começou a ser desenvolvida em 2006, quando a Universidade Estadual do Ceará (Uece) criou a primeira vacina vegetal de combate à dengue. A professora Isabel Florindo Guedes, bioquímica responsável pela pesquisa, afirma que a vacina está pronta. No entanto, denuncia que falta apoio financeiro por parte do Governo Estadual para melhorar a infraestrutura do laboratório a fim de que a pesquisa possa passar para a etapa de teste clínico.

"É uma vacina não invasiva, que usa uma rota natural e não possui nenhuma contra indicação. São muitas as vantagens", ressalta Isabel.

A especialista explica que o medicamento opera da seguinte forma: a proteína do vírus da dengue é introduzida na planta, especificamente em feijão de corda, que irá induzir o organismo a produzir anticorpos de defesa contra a doença. Até agora, ela só foi testada em camundongos, mas a idéia é que passe por teste clínico.

Caso seja aprovada pelo MS, a primeira vacina de origem vegetal deverá ser utilizada para combater epidemias de dengue em todo o mundo.

Com relação à reclamação de que o governo não apóia a iniciativa, Manoel Fonseca esclarece que a Secretaria não é um órgão financiador de pesquisa e que geralmente quem patrocina esse tipo de estudo são os laboratórios. A professora Isabel informa que a estufa de vegetação, onde as plantas vão ser cultivadas, já está construída.

Epidemia

No Ceará, 2011 se configurou como o ano de maior epidemia da doença em número de casos dos últimos 25 anos. No entanto, não se sabe ao certo quando a vacina deverá estar circulando no mercado.

No Estado, há casos de dengue notificados desde 1986. Os picos epidêmicos foram nos anos de 1987, 1994, 2001 e 2008. Em 2011, 52.066 ocorrências da doença foram confirmados, em 177, dos 184 municípios cearenses.

Vírus

52.066 casos de dengue foram confirmados no Ceará em 177 dos 184 municípios cearenses. Houve picos epidêmicos em 1987, 1994, 2001 e 2008

REPORTAGEM: BIOCHIPS A PARTIR DE BACTÉRIAS DO INTESTINO

Cientistas usam bactéria do intestino em 'chip biológico'Técnica pode pavimentar caminho para a construção de microssensores capazes de monitorar a saúde e a poluição atmosférica
Revista Veja, 19-10-2011

Cientistas britânicos conseguiram construir os componentes básicos de um computador a partir de bactérias encontradas em seres humanos. Outras pesquisas já haviam mostrado que era possível construir um 'chip biológico', mas é a primeira vez que pesquisadores conseguem fazê-lo se comportar de maneira muito semelhante ao equivalente eletrônico. A pesquisa poderá pavimentar o caminho para uma nova geração de computadores biológicos que podem ajudar a monitorar a saúde e o ambiente. O estudo foi publicado no periódico Nature Communications.

Os especialistas da Imperial College London, na Inglaterra, demonstraram que é possível construir circuitos lógicos — usados para processar informações nos microprocessadores, por exemplo — a partir da Escherichia coli (E. coli), uma bactéria encontrada no intestino humano.

Biocomputador - A equipe de cientistas alterou o material genético da bactéria para que ela alternasse, quando estimulada quimicamente, entre estados equivalentes aos dos circuitos lógicos tradicionais: 'ligado' e 'desligado'. É assim que a maioria dos computadores processa informação digital. Contudo, em vez de bactérias e estímulos químicos, os engenheiros usam placas de silício e eletricidade.

"Agora que demonstramos que é possível replicar o sistema usando bactérias e DNA, esperamos que nosso trabalho possa levar a uma nova geração de processadores biológicos", disse Richard Kitney, coautor do artigo. Em tese, os novos circuitos podem ser tão eficientes quanto os equivalentes eletrônicos.

Aplicações - O resultado obtido ainda está longe de chegar ao mercado, mas a equipe já sugere aplicações para computadores biológicos microscópicos. Entre os exemplos citados, estão sensores capazes de navegar pelas artérias, detectar a formação de um coágulo e rapidamente medicar a região afetada. Outras aplicações incluem sensores que detectam e destroem células cancerígenas ou monitores de poluição que podem ser lançados ao ambiente, detectando e neutralizando substâncias perigosas, como o arsênio.

Os especialistas também mostraram que os circuitos biológicos podem ser conectados entre si, formando componentes ainda mais elaborados. A próxima fase da pesquisa cuidará do desenvolvimento desses circuitos conectados, para permitir a realização de tarefas mais complexas.

NOTÍCIA: AVANÇO EM VACINA CONTRA MALÁRIA

Cientistas divulgam avanço em vacina contra a maláriaImunização protege 'de forma adequada' contra a doença.
No entanto, ela não é eficaz o suficiente para garantir erradicação
G1, 19-10-2011

Uma vacina experimental reduziu pela metade a incidência da malária entre crianças africanas envolvidas em um teste de grande escala, e provavelmente se tornará o primeiro medicamento preventivo a ser usado contra essa doença letal.

Os dados do estágio final do teste, divulgados nesta terça-feira (18) pelo laboratório GlaxoSmithKline, mostraram que a vacina protegia de forma adequada contra a malária, inclusive os casos graves, em bebês de 5 a 17 meses na África, onde a doença, transmitida por mosquitos, mata centenas de milhares de crianças por ano.

'Esses dados nos deixam prestes a termos a primeira vacina mundial para a malária', disse Andrew Witty, executivo-chefe do laboratório britânico que desenvolveu a vacina em conjunto com a ONG Path -- Iniciativa da Vacina da Malária (MVI, na sigla em inglês).
Mas Witty e outros especialistas salientaram que a vacina, conhecida como RTS,S ou Mosquirix, não levará a uma rápida erradicação da doença. Ela é menos eficaz contra a malária do que outras vacinas contra infecções comuns, como a pólio e o sarampo.

'Desejaríamos que pudéssemos erradicar (a malária), mas acho que (a vacina) vai contribuir para controlar a malária ao invés de erradicá-la', disse à Reuters Tsiri Agbenyega, pesquisador-chefe dos testes com a RTS,S em Gana, durante uma conferência sobre a doença em Seattle.

A malária é endêmica em mais de cem países, e matou 781 mil pessoas em 2009, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Medidas de controle, como o uso de mosquiteiros tratados com inseticidas, aspersões domésticas de inseticidas e o uso combinado de determinados remédios, contribuíram nos últimos anos para uma redução na incidência da doença e na mortalidade, mas especialistas dizem que é vital obter uma vacina efetiva.

Os novos dados, apresentados na conferência do Fórum da Malária da Fundação Bill & Melinda Gates, e publicados simultaneamente na revista New England Journal of Medicine, foram os primeiros da fase 3 (estágio final) do teste clínico realizado em 11 localidades de sete países da África Subsaariana.

O teste continua, mas os pesquisadores que analisaram os dados das primeiras 6.000 crianças concluíram que, após 12 meses de acompanhamento e três doses da RTS,S, a incidência da malária clínica diminuiu 56 por cento nas crianças, e os casos severos tiveram queda de 47 por cento.

'Estamos muito felizes com os resultados. Nunca estivemos mais próximos de termos uma vacina bem sucedida contra a malária', disse Christian Loucq, diretor da Path-MVI, que também esteve na conferência.
Ele acrescentou que o uso disseminado de mosquiteiros sobre as camas -- adotadas por 75 por cento dos participantes -- indicou que a RTS,S pode garantir uma proteção significativa em conjunto com outros métodos existentes de controle da doença.

Os resultados em bebês de 6 a 12 semanas devem sair dentro de um ano e, se tudo correr bem, a GSK acredita que a vacina chegaria ao mercado em 2015.

PREÇO DE CUSTO

Mas levar o produto até as crianças africanas exigirá um esforço concentrado por parte dos financiadores internacionais, como a Fundação Gates, que bancou parte da pesquisa. Especialistas dizem que, para ser viável, a vacina precisará ser barata.

Gates disse que os resultados foram um 'grande marco' na luta contra a malária.
Witty recusou-se a dizer se o tratamento com três injeções poderá sair a menos de dez dólares, mas afirmou que a RTS,S será oferecida ao menor custo possível.

A empresa havia dito anteriormente que cobraria apenas o preço de custo, mais um adicional de 5 por cento a ser reinvestido em pesquisas com doenças tropicais. 'Não vamos ganhar nenhum dinheiro com este projeto', disse Witty.

Mesmo assim, as ações da Agenus, pequena parceira norte-americana de biotecnologia da GSK que fabrica um componente da vacina, tiveram alta de 40 por cento depois da divulgação dos resultados positivos.

A malária é causada por um parasita transmitido pela saliva dos mosquitos. A vacina RTS,S é acionada quando o parasita entra na corrente sanguínea humana, depois da picada do mosquito. Ao estimular uma reação imunológica, ela pode evitar que o parasita amadureça e se multiplique no fígado.

Sem essa reação imunológica, o parasita volta para a corrente sanguínea e contamina os glóbulos vermelhos, causando febre, dores no corpo e eventualmente a morte.

Joe Cohen, um dos inventores da RTS,S, disse que os dados são robustos e consistentes com testes anteriores, que também mostraram uma eficácia em torno de 50 por cento. Os efeitos colaterais, incluindo febre e inchaço na área da injeção, foram semelhantes em crianças que receberam a RTS,S e um placebo.

Cohen, que há 24 anos desenvolve essa vacina, se disse 'muito orgulhoso do que conseguimos.'

Alguns comentaristas externos foram cautelosos sobre o potencial da vacina -- os sanitaristas geralmente esperam que uma vacina tenha eficácia superior a 80 por cento --, mas disseram que se trata de uma invenção importante, que deve salvar muitas vidas.
'Provavelmente ainda não chegamos lá, mas é realmente um avanço importante nas ciências', disse à Reuters em Seattle Peter Agre, diretor do Instituto Johns Hopkins de Pesquisa da Malária e ganhador do Prêmio Nobel (2003).
Em artigo na revista New England Journal of Medicine, Nicholas White, da Universidade Mahidol, da Tailândia, afirmou que 'está ficando cada vez mais claro que de fato temos a primeira vacina efetiva contra uma doença parasitária em humanos.'

NOTÍCIA: NOVA FÁBRICA DE VACINAS NO BRASIL

Novartis construirá fábrica de vacinas no Brasil
Jornal do Brasil, 19-10-2011

O grupo farmacêutico suíço Novartis investirá 300 milhões de dólares (219,4 milhões de euros) no Brasil para construir uma fábrica que produzirá vacinas contra o meningococo B, causador sobretudo da meningite cérebro-espinhal epidêmica, que criará uma centena de empregos, informou o grupo nesta terça-feira.

"A construção no Brasil da primeira fábrica de biotecnologia em escala industrial é o maior investimento da Novartis no país até agora", disse o laboratório suíço em um comunicado enviado à AFP.

Esta operação "apóia o objetivo do governo (brasileiro) de atrair tecnologia de ponta, aumentar a produção local e reduzir a dependência externa", explicou a Novartis.

A fábrica, que será construída em Pernambuco, vai produzir para o Brasil e para a exportação três proteínas recombinantes destinadas à vacina da Novartis contra o meningococo B, um micro-organismo, em forma de diplococo, que é a causa de diversas doenças e principalmente da meningite cérebro-espinhal epidêmica.

Com o tempo, esta fábrica pode produzir outras vacinas que estão sendo desenvolvidas, segundo o comunicado.

A construção da usina empregará 120 pessoas e ela deve ser finalizada em 2014.

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